Há dez anos atrás, o cenário musical brasileiro era surpreendido positivamente pelo épico disco "Cosmotron" da banda mineira Skank. O estereótipo futebolístico, dançante e festivo do grupo, foi radicalmente controvertido pela nova sonoridade que o quarteto adotava, o psicodelia flertada ao pop. O intuito era fugir dos caminhos óbvios do rock popular, incrementando o psicodelismo fundido ao pop, evitando assim uma rejeição radiofônica. A aposta deu tão certo, que o disco chegou a vender mais de 200 mil cópias, sendo aclamado pela crítica e pelo grande público. Os hits "Vou Deixar" e "Dois Rios" emplacaram rapidamente nas rádios de todo o país, além de mais duas canções do disco frequentando o top das paradas. Entenda como o Skank conseguiu popularizar o rock psicodélico e se conceituar definitivamente como uma das maiores bandas de rock brasileiro.
Em 1993, quatro mineiros apareceram para o país vestidos de camisetas de clubes de futebol, tocando uma mistura de rock, reggae, ska e dub. O disco era "Calango", com letras que abordavam em grande parte os temas sociais com uma certa ironia. O sucesso foi certo. Mais de 1 milhão de discos vendidos rapidamente em todo o país. Em 1996, o álbum "Samba Paconé" atingiu a impressionante marca de 2 milhões de cópias vendidas. O Skank era a banda de rock mais vendida do Brasil, e vista como a grande novidade pop do país. Diante do estrondoso sucesso que faziam, notou-se uma necessidade de amadurecimento do som. Daí surge o "Siderado" em 1998; um trabalho com mais experimentos eletrônicos e até a balada orquestrada "Resposta". Realmente o Skank estava mudando. O disco vende 750 mil cópias, se mostrando ainda assim como tendo ótima receptividade de público, rádio e crítica. A banda chaga nos anos 2000 como a mais popular e mais vendida banda de rock da década. Em 2000 o quarteto lançam o "Maquinarama", que transmitia claramente o espírito do Skank procurando uma nova sonoridade. A novidade desta vez surgia no abandono dos tradicionais metais, e um tímido flerte com o psicodelismo. Realmente não foi um bom disco. Soava inseguro, sem uma linha definitiva de som, e sem um grande hit para diluir o trabalho pelas rádios. As vendas foram insatisfatória, não chegando à sequer um terço do trabalho anterior "Siderado". Aproveitando a onda dos lançamentos ao vivo, o Skank fez o "MTV Ao Vivo em Ouro Preto", reunindo as grandes canções dos 5 discos gravados da banda, e ainda uma inédita, esta foi "Acima do Sol", uma balada que emplacou o disco nas rádios brasileiras, recolocando a banda no top das vendagens dos discos e reconquistando seu espaço no grande público.
Em 2003, com a produção de Tom Capone e do próprio Skank, a banda lança o "Cosmotron". O álbum foi uma mudança definitiva na musicalidade do quarteto. "É nítido, direto e inquietante / Eu diria totalmente extravagante". Os versos iniciais de "Supernova" que abrem o disco representam com fidelidade a nova sonoridade do Skank. Mantendo a ausência dos metais, a linha fundamental do disco foi a psicodelia, com flertes eletônicos e pop. As letras abordam temas relacionais com linguagem mais abstrata e metafórica, deixando-as com um aspecto maduros e contundentes. A sonoridade do "Cosmotron" se baseia na forte influencia do Clube da Esquina, Oasis e Beatles. A mudança e o experimentalismo do disco poderiam afastar o Skank do grande público, das paradas e consequentemente desaguar e um novo fracasso nas prateleiras. Para isso, o disco trouxe duas canções pop de fácil e rápida apreciação radiofônica, a single "Vou Deixar" que ficou no topo das paradas durante todo o ano de 2003, e "Amores Imperfeitos", que também foi bem tocada nas rádios do país. O psicodelismo eletrônico surge na faixa que abre o disco "Supernova", "Pegadas na Lua", "Nômade" (com trechos falados em árabe) e "Formato Mínimo", esta última canta uma interessante história de um casal sob dois ângulos diferentes, o masculino e o feminino. A psicodelia britânica se percebe em "Por Um Triz", "Resta Um Pouco Mais" e "Um Segundo". As baladas psicodélicas ficam por conta da surpreendente "Dois Rios", que foi muito bem recebida nas rádios, e "As Noites". A eletrizante "Os Ofendidos" realça a essência efervescente da banda, com uma pegada forte, distorções e vocal em eco, e um destaque até para os arranjos de órgão. Outras surpresas como "É Tarde" e "Sambatron" encorpam o disco, com uma mistura bem inventiva de bossa nova com elementos eletrônicos.
Para quem se lembra de 1986, três discos marcaram para sempre o rock brasileiro naquele ano. "Dois" da Legião Urbana, "Selvagem?" dos Paralamas do Sucesso e "Cabeça Dinossauro" dos Titãs formaram a trinca de ouro da discografia rockeira brasileira. Em 2003 quase vimos uma nova tríade de clássicos do rock 'brazuca'. "Ventura" dos Los Hermanos e "Cosmotron" do Skank ficaram à espera de um terceiro disco que completasse o que seria a trinca contemporânea do rock brasileiro. Infelizmente este disco não veio, talvez por que as bandas de rock estavam saturando o mercado de lançamentos ao vivo e acústicos, caindo nos modismos baratos e nada originais. Com certeza, o "Cosmotron" entrou para a história e para o grupo seleto dos discos mais importantes da música brasileira. Ouça agora mesmo o disco na íntegra. Faça o download gratuito, clicando no link abaixo:
http://depositfiles.org/files/gahbqmwuw
12:50
Unknown


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5 comentários:
E se não fosse o Carrosel, talvez seria o ultimo disco que apreciei de verdade do Skank, um disco muito e inovador e marcante com toda certeza mas vou discordar em um ponto acho que esse terceiro album existiu com o CD do Paralamas "Longo Caminho" com a volta de Hebbert após o acidente rs apesar do Paralamas ser dos anos 80, mas olha em 2000, o rock brasileiro foi salvo por esses 3 cds :)
O "Longo Caminho" é um bom disco sim, Gabi. Só não teve caráter inventivo, nem ousou em nenhum aspecto. Apenas seguiu a linha "Paralamas" de tocar. Embora eu goste muito do álbum, não vejo nele algo extraordinário. Muito bom expressarmos as discordâncias, viu. Música é isso! Obrigado pelo comentário importante.
Se for levar para o lado da inventividade, então na trinca dos anos oitenta, apenas 'Selvagem?' restará, pois 'Cabeça dinossauro' e 'Legião urbana II' eram repetições de fórmulas já experimentadas. Vai entender? O critério é a importância do disco para o cenário ou a inovação?
Gostaria de saber oq significa as partes cantadas em árabe na faixa nomades
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