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quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O Seabird Cativa Mais Uma Vez Os Bons Ouvidos Com o Novo Disco "Troubled Days"

O Seabird está lançando o seu mais novo trabalho intitulado "Troubled Days".  A musicalidade indie misturada com o rock alternativo dão ares de sentimentalismo ao disco, e em outros momentos de agitação. Com baladas marcantes e riffs colantes, os norte americanos chegam com o terceiro álbum de estúdio mostrando ser uma banda criativa e madura, além de comprovar mais uma vez ser uma das melhores do gênero da atualidade.

A banda nasceu em 2004 na cidade de Independence, Kentucly nos Estados Unidos. O quarteto composto por Aaron Morgan no piano e vocal, Ryan Morgan nas guitarras, Micah Lenders no baixo e Aaron Hunt na bateria lançou em 2005 um EP de forma independente. A qualidade musical da banda chamou a atenção da gravadora EMI, que os contratou imediatamente. Em 2007, gravaram o segundo EP agora como contratados de uma grande companhia. A intenção era usar o projeto como prévia do disco de estreia que acabou sendo lançado em 2008. O primeiro disco se chamou  "'Til We See the Shore", e trouxe o single "Rescue", que frequentou por muito tempo as paradas musicais dos Estados Unidos. O ótimo trabalho serviu para que o Seabird conquistasse seu lugar ao sol no cenário do indie/rock americano. O segundo trabalho veio logo no ano seguinte. Em 2009 foi lançado o "Rocks into Rivers". O disco foi mais alegre que o anterior, com menos baladas e canções mais agitadas. O álbum apenas confirmava a força da música do Seabird. Com certeza, é um excelente disco de rock. Em 2010 lançaram o terceiro EP. A temática natalina do trabalho serviu para que não passassem desapercebidos naquele ano. Depois disto, a banda deixa a gravadora EMI para se tornar independente. O baixista  Micah Landers abandona o quarteto, se tornando agora um trio. A partir daí, deu-se inicio a gravação do terceiro disco de estúdio, o "Troubled Days"

Em julho de 2013, o Seabird lança de forma independente o "Troubled Days". Um disco marcado pelo tradicional piano de Morgan e suas baladas cativantes, sem abrir mão de faixas agitadas e vibrantes. Produzido pelo conceituado Paul Moak, o primeiro single escolhido para ser trabalhado é a faixa que intitula o álbum "Troubled Days".  A canção tem ótimos arranjos de guitarra, refrão colante e ainda um andamento contagiante. Com certeza a música mais propicia para representar o novo trabalho nas rádios americanas. Outros rocks vibrantes agitam o disco, como "We Can't Be Friends", "Love Suicide" (que lembra muito a pegada do The Killers, porém sem os sintetizadores) e "Find a Way" (em tom experimentalista). As arriscadas acontecem em "Stand Out", com palmas e anjos, que muito remete às canções religiosas americanas gospel e country. As baladas dão ao disco o sentimentalismo apaixonante característico do Seabird. A começar pela faixa que abre o álbum "Love Will Be Enough", com ataques rítmicos e harmonia imprevisível; seguida de "Pull You In", faixa lindamente moldurada pelos arranjos de guitarra. "Please Please" é outro bom momento do disco. Muito lembra as baladas do Keane. "Extraordinary" é linda, e ainda recebe os arranjos de acordeom, que se une ao violão, piano, guitarra e bateria. Música formidável. A melancolia fica por conta de "Something Better Change","Golden Skies" e a que encerra a obra "Palmetto Peach". Nestas faixas o piano soa forte e carregado de intimismo. Épicas.


Através de uma produção independente, o Seabird mais uma vez atesta a riqueza de sua musica, sabendo explorar com maturidade as faces agitadas e intimistas do rock. Um trabalho muito maduro, e musicalmente rico em produção e arranjo. É uma das obras mais interessantes de rock deste ano de 2013. Cabível à todos os momentos do dia a dia dos apreciadores da boa canção.

Baixe o disco na íntegra gratuitamente:
http://depositfiles.org/files/r0bwk4fqw


terça-feira, 13 de agosto de 2013

O Peso e Atitude do Rodox em "Estreito"

Em meados de 2001, o líder e mentor da banda de rock mais popular do país da época Rodolfo Abrantes, abandonou o Raimundos em virtude de uma nova ideologia pessoal de vida. Após sua saída, motivada também pela sua conversão ao evangelho, veio a criação do Rodox, sua nova banda. Em 2002, lança o disco "Estreito" surpreendendo à todos pelas palavras afiadas e maduras, além de fazer um som mais pesado e experimental do que no Raimundos. A força das letras inflamadas junto ao hardcore pesado e visceral do disco, fazem do "Estreito" um trabalho de atitude, direto e preciso, tornando-o memorável e marcante.

Rodolfo Abrantes criou junto com seu amigo Digão o Raimundos no final dos anos 1980. Depois introduziram Canisso ao baixo e Fred à bateria. A banda estava formada. Fãs dos Ramones, o grupo fazia covers dos ídolos além de brincar com ritmos nordestinos incrementados ao rock. Em 1993 gravaram um fita demo e começaram a abrir os shows de nomes conhecidos como Ratos do Porão, Camisa de Vênus e Titãs. A demo foi parar nas mãos do dono da gravadora "Banguela Records" Carlos Eduardo Miranda, que assinou com o grupo e lançou o primeiro disco da banda em 1994. Letras cômicas e o chamado "forrocore" tornaram o Raimundos um sucesso imediato, repetindo-se no disco seguinte "Lavô, Tá Novo" de 1996, este chegando a marca de meio milhão de cópias vendidas. No ano seguinte, lançaram o "Lapadas do Povo", um disco bem mais pesado e mais sério que os dois anteriores. As vendas decaíram e a banda enfrentou uma séria crise entre os integrantes. Em 1999 gravaram o que seria o maior sucesso da banda, o disco "Só No Furevis", com a marca de quase dois milhões de discos vendidos. Ainda lançaram o "MTV Ao Vivo " em 2000, e novamente conquistando ótimas vendagens. Apesar de viver o melhor momento profissional da sua carreira, Rodolfo sofria com o vício de maconha, álcool e depressão. As brigas com os companheiros de banda passaram a ser mais frequentes após sua conversão ao protestantismo, por influencia de sua esposa. O vocalista anunciou com antecedência que após o término da turnê "MTV Ao Vivo"deixaria o Raimundos. Depois de abandonar a banda, críticas dos ex-companheiros de grupo e da mídia em geral não atingiram o agora cristão Rodolfo, que ainda tinha que cumprir o contrato com a gravadora, com mais dois discos a lançar. Daí surgiu a ideia de criar o Rodox, nome este que era um apelido de Rodolfo. Além de cumprir o contrato com a gravadora, seria a oportunidade de cantar suas novas ideias e fazer um som diferente que se fazia no Raimundos.

De inicio, o Rodox mais pareceu um projeto do que propriamente uma banda. Rodolfo se uniu ao Dj Bob, ao baterista Fernando Schaefer e ao produtor Tom Capone para criar o primeiro disco. Em 2002 lançou-se o "Estreito". As composições de letras diretas e inflamadas, respondem às criticas recebidas e cantam a transformação definitiva de Deus na vida do cantor. O que muito impressionou foi a qualidade dos versos. O que antes era somente um compositor cômico com rimas de duplo sentido, agora era maduro, firme e decidido. A própria canção que intitula o álbum ilustra bem isso: "O caminho que escolhi é um estreito/Até parece duro e espinhoso, mas é reto e perfeito". Em nenhum momento o cantor pareceu estar incerto da escolha que mudou sua vida, pelo contrário, seus versos são precisos e claros. Outro aspecto diferenciado do Rodox com o "Estreito" é a mudança brusca de som. Não houve a intenção maliciosa de alcançar o antigo público do Raimundos, mas de criar um novo. O som muito mais pesado ainda flerta com outros estilos, como reggae, new metal, rap e hardcore/punk, tendo como linha principal o hardcore. Ainda existe espaço para o experimentalismo eletrônico do Dj Bob com o uso de samples e sintetizadores.

"Olhos Abertos" abre o disco e é cheia de efeitos eletrônicos do Dj Bob, e soa uma mistura de rapcore com new metal muito interessante. As distorções pesadas e a levada agressiva da faixa correspondem ao conteúdo da letra, que versa a hostilidade contra o diabo, que é o alvo da canção. Representa muito bem o momento de Rodolfo. "Hoje finalmente, na minha mente você não respira mais!"
"Nao Lembro Mais" é um hardcore bem acelerado. Boas linhas de guitarra e uma letra formidável. O refrão com três vozes cruzadas se atravessam dando um sentido único. Versa a entrega total a Deus do compositor. "Já não sou mais eu quem está na direção."
"De Uma Só Vez" é um hardcore melódico com um riff marcante e andamento vibrante. Descreve toda a satisfação da nova vida com Deus e o desprendimento do passado. "Todo o passado é arquivo morto/Um peso inútil na memoria de quem viveu uma história igual"
"Ao Lado do Sol" é um dos melhores momentos da obra. Um hardcore/punk bem acelerado, a faixa rebate as criticas recebidas em trechos como: "Eu posso mudar sendo quem eu sou", e "Ser diferente é ser original". A frase mais marcante da faixa é "Nada se move quando a prisão é na sua mente". Letra brilhante!
"Continuar De Pé" é outra surpresa do disco. Um reggae com metais e grooves de baixo. A vontade de falar da nova fé e quebrar preconceitos se atestam em: "Atravessar tudo que eu ver pela frente/História sem final".
"Cego de Jericó" é outra faixa bem acelerada. Foi a primeira composição de Rodolfo após sua conversação. "É por amor que ainda existo, hoje renasço de Cristo.". Também contém mensagens evangelizadoras: "O poder do sangue de Cristo vai te levantar do pó".
"Dia Quente" foi o primeiro single do disco e foi bem tocada pelo país. A única faixa romântica do álbum, é cantada para a esposa do artista que o influenciou na conversão. "Só quem me conheceu doente, ver como estou melhor assim"
"Estreito" é visceral, enérgica e pulsante. É a faixa que mais bem rebate as criticas, e é a melhor letra do disco. "Pra você eu sou louco, pra mim você é cego!".
"Tres Reis" é um rap com efeitos eletrônicos. Tem participação especial do Rapper Xis e Falcão do Rappa.
"Quem Tem Coragem Não Finge" é única balada do trabalho. Totalmente acústica e confessional. Destaque para os lindos arranjos de flauta e violão.
"Horario Nobre" é uma crítica a mídia vazia, e um alerta para o despertar da influencia da televisão. Um trecho marcante é: "Sem moral, sua vontade é um comercial". Atribui a manipulação midiática a manipulação diabólica. A mais pura verdade.
"Quem dá mais" fecha o disco com muita atitude. Outra letra genial. "Me rotular é bem mais fácil do que tentar me conhecer / Ex-iludido, ex-frustrado, ex-vegetal, muito prazer!"

"Estreito" é um disco ímpar de rock and roll. É quase impossível achar um outro trabalho com este poder de letra confessional, rebatedora, decidida, madura, com fé e realística. A atitude do álbum está presente em cada faixa, e a musicalidade agressiva se mistura e se enriquece com experimentos eletrônicos e gêneros diversos. Em todo tempo soa contundente e claro. Não há espaço para faixas confusas nem letras imaturas. Em nenhum momento de Raimundos, Rodolfo Abrantes se mostrou tão genial e contundente em suas letras. A palavra cantada e gritada são as grandes expressões desta obra original e impactante do rock and roll brasileiro.


Baixe o disco agora mesmo na integra gratuitamente
http://www.mediafire.com/download/c7ga9430z4wpzaa/Rodox.rar

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A Salvação do Rock Brasileiro Atual pelo "Sobre o Mesmo Chão" do Palavrantiga

Diante de um fastio inventivo e inovador do atual rock brasileiro, o Palavrantiga surge como a grande salvação do gênero no cenário musical do país. Com uma sonoridade única, a banda mineira/capixaba vem conquistando milhares de seguidores por onde passa, além do respeito e admiração da crítica especializada. O novo disco "Sobre O Mesmo Chão", lançado pela Som Livre  no final de 2012, é a mistura do rock com elementos da musicalidade brasileira, tendo um resultado cativante, ousado e belo. A banda é a mais nova expressão do novo; é a face criativa e madura do rock nacional, que se reinventa através de misturas de gêneros e traduções de fé e esperança.

Em 2007, após encerrar as atividades como banda de apoio da cantora Heloísa Rosa, a banda decidiu tocar as próprias canções. O Palavrantiga é Marcos Almeida (vocal, violões e guitarras), Josias Alexandre (guitarra), Lucas Fonseca (bateria) e Felipe Viera (contrabaixo). O intuito era fazer um rock na contra mão do mercado, sem refrãos chicletes, nem letras vazias, muito menos 3 ou 5 acordes para uma canção. O sentimento de criar, inovar e reinventar o rock brasileiro, unido à vontade de levar a esperança no canto era o que movia a banda. Em maio de 2008 o Palavrantiga lançou seu primeiro trabalho de forma independente. Um ep com 8 músicas produzido pelo talentoso Lucio Souza marcava o ponta pé inicial da carreira do quarteto. Com uma musicalidade incrível, o ep trazia um rock que flertava o folk, britpop e samba. As letras poéticas e profundas, versavam sobre fé e esperança. Realmente não parecia um trabalho de estreia de uma banda, visto nele uma chamativa maturidade musical e lírica. O projeto foi disponibilizado na internet despertando a atenção de milhares de internautas. O resultado foi a conquista de um espaço no cenário indie brasileiro e uma afoita expectativa pelo primeiro disco full, que veio em 2010 com "Esperar é Caminhar" pela gravadora Canzion. O disco foi masterizado no consagrado estúdio Abbey Road, e teve a produção assinada mais uma vez por Lucio Souza. Um sucesso de crítica e ótimas vendagens, a banda se destacou pela maturidade e som inovador, despertando o interesse da Som Livre, uma das maiores gravadoras do país.

Em novembro de 2012, é lançado o "Sobre O Mesmo Chão" pela Som Livre. Um disco envolvente, com sonoridade ousada e letras de temáticas mais amplas que as dos trabalhos anteriores. A musicalidade é uma formidável fusão de gêneros. Elementos do britpop, indie e samba são misturados culminando em um som bem abrasileirado, o que o vocalista e líder da banda Marcos Almeida chama de 'brasilidade'.

"Sobre o Mesmo Chão" abra o disco que a intitula. A introdução com distorções e de compasso marchante já apresenta a face inventiva da banda. Guitarras repicadas e a voz forte e inconfundível de Marcos versam a ideologia do quarteto em "A banda passou. O amor se espalhando ainda está"
"Sagrado" é uma forte crítica à desmoralização do sagrado. A letra afirma o pensamento de que para ser sagrado, se faz necessário antes ter no peito o sentimento de santificação daquilo que se quer sagrar. Destaque para o riif de blues à uma levada pop da canção.
"Branca" é a feliz união do samba ao rock, resultando em nenhuma das duas coisas. Há quanto tempo não se ouvia uma coisa dessas? Cabe ressaltar a harmonia imprevisível e os belos arranjos dos metais, que por ora, lembra muito os cariocas do Los Hermanos.
"De Manhã" é uma balada confessional que versam uma conversa com Deus. A beleza dos arranjos de guitarra dão a canção o título de uma das mais cativantes da obra. O lirismo poético é maravilhoso: "Distante daquilo que eu era, sem força, nem fé ou poesia. Me encosto no peito daquele que atende o meu grito"
"Rio Torto" é uma das mais inventivas do disco. De levada quebrada, arranjos de metais e uma harmonia anticonvencional fazem da canção uma obra prima do trabalho.
"Minha Menina" tem um riff deslumbrante de guitarra, e foi inspirada na vida de uma prostituta. A canção fortifica a ideia de esperança sobre a prostituição. Veja o trecho: "A esperança é a doce chuva que cai sobre ti".
"Boa Nova" é outra faixa que cativa pela poesia confessional. É a mais calma do álbum.
"Rookmaker" é uma espécie de hino do Palavrantiga, pois traduz a ideologia da banda, elaborada sob as ideias do escritor alemão Hans Rookmaker. De pegada contagiante, é a única não inédita do disco, sendo gravada originalmente no anterior "Esperar é Caminhar".
"Antes do Final" é simples e lírica. Canta o perdão antes que não haja mais tempo para isto. Destaque para o refrão de guitarras gritantes e bateria marchante.
"Meu Lar" canta a ideia de um outro lugar após a morte. O céu, o reino, ou o que o ouvinte quiser entender. A canção em nenhum momento impera uma crença ou uma ideia, pelo contrario, dá a possibilidade de quem a escuta cantar o seu próprio 'lar'.
"Partiu" fecha a obra da melhor forma. Com força, criatividade e ousadia. Guitarras bem arranjadas e uma bateria agressiva. Tudo no melhor estilo "Palavrantiga".

A bandeira do novo, do progresso e da criatividade musical ainda está de pé. Embora inúmeras bandas e artistas saturam o mercado com o mais do mesmo, o Palavrantiga carrega a bandeira daquilo que representa a verve de insatisfação do rock and roll, através de sua musicalidade original e madura. A esperança presente em cada faixa, e o desprendimento de uma canção de mensagem imperativa aproxima e conquista cada vez mais milhares de admiradores da sua música. E eu com certeza sou um deles.





Nunca ouviu Palavrantiga? Então não perca tempo!
Ouça agora mesmo o disco na íntegra. Faça o download gratuito, clicando no link abaixo:
http://depositfiles.org/files/mtcbjnoo5













quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Clássico "As Quatro Estações" da Legião Urbana

 
O disco mais marcante da Legião Urbana marcou definitivamente a música brasileira no final da década de 1980. Com letras que abordavam críticas sociais, amor e sexualidade, a sonoridade presente em "As Quatro Estações" ganhou o Brasil, chegando a ter o incrível numero de nove hits das onze faixas do disco sendo tocadas repetidamente pelas rádios do país. O resultado foi a marca de quase dois milhões de cópias vendidas e um espaço intocável na historia musical brasileira.

Maior expressão do rock brasileiro da década de 1980, a Legião Urbana surgiu em Brasília agosto de 1982, com Renato Russo nos vocais e teclados, Dado Villa-Lobos nas guitarras, Marcelo Bonfá na bateria e Renato Rocha no baixo. O disco de estreia "Legião Urbana" se deu em 1985, que trazia os hits "Será", "Ainda é Cedo" e "Geração Coca-Cola", esta última virou o hino da geração oitentista, vendendo 150 mil copias, e chamando a atenção de todo o país para os garotos de Brasília. No ano seguinte, veio o disco que consagraria a banda. O "Dois" vendeu mais de 1 milhão de cópias e emplacou canções inesquecíveis como "Eduardo e Mônica", "Quase Sem Querer", "Tempo Perdido", "Índios", "Andrea Doria" e "Fábrica"; todas bem tocadas nas rádios brasileiras. Este disco tornou Renato Russo a voz de uma geração, despertando a admiração da crítica para a poesia do vocalista. Existia algo a mais que distorção e rebeldia na então novata Legião Urbana; havia uma revolta, um protesto, uma visão política, um líder. O terceiro álbum veio em 1987. Intitulado "Que País É Este 1978/1987", o disco trazia composições antigas de Renato ainda na época do Aborto Elétrico (banda anterior à Legião Urbana que o vocalista liderava), e músicas gravadas para o "Dois" que não entraram no disco, em virtude da desistência da gravadora da realização do que seria álbum duplo. Com letras mais juvenis e aproximação com o punk rock, o disco se destaca nas clássicas "Que País é Este" e "Faroeste Caboclo", além das baladas "Eu Sei" e "Angra dos Reis". Como no segundo trabalho, foram mais de 1 milhão de discos vendidos, comprovando a força fonográfica da banda.

A consagração definitiva ainda estava por vir. Em julho de 1989 o quarteto retornava aos estúdios para a gravação do trabalho mais cultuado da banda. "As Quatro Estações" mostraria toda a intelectualidade do líder da 'Geração Coca Cola' pelas suas críticas sociais, todo seu romantismo pela sua  poesia lírica e toda sua autenticidade quando assumiria sua bissexualidade. Em outubro, sob a produção de Mayrton Bahia, o lendário "As Quatro Estações" foi lançado.  Agora não mais um quarteto, Renato Rocha foi expulso devido à desentendimentos com os membros, particularmente com o baterista Bonfá. Devido ao fato, as linhas de baixo foram regravadas por Dado Villa-Lobos e Renato Russo, tornando o álbum da Legião em que o vocalista mais participa como músico , assumindo em muitas canções baixo, violão, teclado, guitarra e até gaita. Todas as letras do disco são de Renato, e musicadas pelo trio Russo, Bonfá e Dado, com exceção de "Monte Castelo" em que o vocalista assina letra e música. O trabalho também marca a primeira experimentação com novos instrumentos. Dado Villa-Lobos toca bandolim em duas faixas e Renato Russo divide as gaitas com Bonfá em "Sete Cidades".

A faixa que abre o disco é a confessional "Há Tempos", em que o vocalista demonstra seu sentimento após  descobrir ser um portador do vírus HIV, em que versa "E há tempos são os jovens que adoecem; E há tempos o encanto está ausente, e há ferrugem nos sorrisos". Renato Russo nunca assumiu publicamente ser portador da doença, talvez por isso a canção seja cantada praticamente na segunda pessoa. O segundo verso da canção "muitos temores nascem do cansaço e da solidão" foi retirado de um evento católico em que a prima do vocalista participou em Portugal.
 "Pais e Filhos" é a principal música do disco e uma das mais importantes da banda. Seu refrão se tornou lema dos fãs: "É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Porque se você parar pra pensar na verdade não há". Nota-se também aqui um sentimento forte de incerteza do futuro, proveniente de um fato e também dos reflexos do HIV que afligia o artista, que se evidencia no trecho "Quero colo! Vou fugir de casa! Posso dormir aqui com vocês? Estou com medo, tive um pesadelo". Com uma pegada blues, cabe destacar o riff do violão  de Renato e os solos da guitarra de Dado decorrer da canção. Realmente uma obra prima aos ouvidos.
A experimental "Feedback Song For A Dying Friend" mescla o peso do rock com a musica oriental, sob distorções de heavy metal unida a um final de música árabe. A letra poética carrega traços do lirismo mediaval, como em "Seus olhos chispantes podem retalhar minha pele bárbara"
"Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto" representa um dos melhores momentos da obra, versando sobre a esperança e atitude. Há espaço até para a introdução de uma frase em que Russo leu em um quarto de hotel, no livro de Doutrina Budista. O trecho é "Tudo é dor, e toda dor vem do desejo de não sentirmos dor". A musicalidade é a mais simplória do disco, não sendo isto uma fraqueza da canção.
A longa "Eu Era Um Lobisomem Juvenil" soa confusa e poética. Os pensamentos soltos e incertos do compositor se atestam em trechos como "não consigo ver sentido no que sinto" e "nem eu mesmo sei direito o que está acontecendo". A música se configura sem nenhuma linha pensamento exata, mais parecendo um desabafo descomprometido com o nexo. Destaque para os teclados do próprio Renato Russo no fim da canção e os arranjos de bandolim de Dado.
A intensidade e atitude da Legião Urbana estão perfeitamente simbolizadas em "1965 (Duas Tribos)". A postura crítica e política da banda são bem mostrados nessa canção, que canta a tortura da ditadura, e os outros aspectos impostos do regime sobre o povo. "Cortaram meus braços, cortaram minhas mãos, cortaram minhas pernas num dia de verão" ilustram bem a faixa. Renato assume o baixo e cria uma linha bem interessante para a música.
"Monte Castelo" é outra música épica do álbum. Mescla trechos bíblicos do apóstolo Paulo com a poesia lusitana de Camões. Renato dá aos versos a harmonia perfeita que os evidencia de forma bela. O vocalista assume as guitarras da canção, sendo a primeira e única vez que Renato toca este instrumento em um disco.
"Mauricio" se destaca pelos sintetizadores, órgãos e arranjos de bandolins. Bem no estilo A-ha e Phil Collins. É claro que a harmonia da canção é completamente diferente dos estilos citados, dando assim a sua originalidade e personalidade de Legião Urbana. Maurico foi um ex-namorado do vocalista.
"Meninos e Meninas" demonstra a autenticidade do compositor, que assume sua bissexualidade versando "E eu gosto de meninos e meninas". Destaque também para a criativa estrutura harmônica imprevisível da faixa.
"Sete Cidades" e "Se fiquei Esperando o Meu Amor Passar" fecham o disco com o romantismo poético de Renato. A primeira as gaitas são tocadas por Bonfá e Russo, e a última as guitarras são tocadas pelo vocalista, deixando Dado no baixo. Com levadas praticamente iguais, as faixas mostram bem a potencia vocal do cantor, indo dos faucetes aos agudos rasgantes. Concluem o álbum com chave de ouro.

"As Quatro Estações" é a feliz união da crítica política, poesia e sentimentos intimistas sob à energia do rock brasileiro. Não existem discos iguais, nem sequer parecidos com este. É único e original. Nem a própria Legião Urbana repetiu o formato do álbum. Renato Russo já disse diversas vezes que este era o melhor disco da banda, e o que ele mais se orgulhava de ter gravado. Seguramente, um clássico absoluto.





Ouça agora mesmo o disco na íntegra. Faça o download gratuito, clicando no link abaixo:
http://www.mediafire.com/download/b26afdmn4jnssph/1989+-+As+Quatro+Esta%C3%A7%C3%B5es.rar 
 
 
 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Psicodelia e O Pop de "Cosmotron" do Skank

Há dez anos atrás, o cenário musical brasileiro era surpreendido positivamente pelo épico disco "Cosmotron" da banda mineira Skank. O estereótipo futebolístico, dançante e festivo do grupo, foi radicalmente controvertido pela nova sonoridade que o quarteto adotava, o psicodelia flertada ao pop. O intuito era fugir dos caminhos óbvios do rock popular, incrementando o psicodelismo fundido ao pop, evitando assim uma rejeição radiofônica. A aposta deu tão certo, que o disco chegou a vender mais de 200 mil cópias, sendo aclamado pela crítica e pelo grande público. Os hits "Vou Deixar" e "Dois Rios" emplacaram rapidamente nas rádios de todo o país, além de mais duas canções do disco frequentando o top das paradas. Entenda como o Skank conseguiu popularizar o rock psicodélico e se conceituar definitivamente como uma das maiores bandas de rock brasileiro.

Em 1993, quatro mineiros  apareceram para o país vestidos de camisetas de clubes de futebol, tocando uma mistura de rock, reggae, ska e dub.  O disco era "Calango", com letras que abordavam em grande parte os temas sociais com uma certa ironia. O sucesso foi certo. Mais de 1 milhão de discos vendidos rapidamente em todo o país. Em 1996, o álbum "Samba Paconé" atingiu a impressionante marca de 2 milhões de cópias vendidas. O Skank era a banda de rock mais vendida do Brasil, e vista como a grande novidade pop do país. Diante do estrondoso sucesso que faziam, notou-se uma necessidade de amadurecimento do som. Daí surge o "Siderado" em 1998; um trabalho com mais experimentos eletrônicos e até a balada orquestrada "Resposta". Realmente o Skank estava mudando. O disco vende 750 mil cópias, se mostrando ainda assim como tendo ótima receptividade de público, rádio e crítica. A banda chaga nos anos 2000 como a mais popular e mais vendida banda de rock da década. Em 2000 o quarteto lançam o "Maquinarama", que transmitia claramente o espírito do Skank procurando uma nova sonoridade. A novidade desta vez surgia no abandono dos tradicionais metais, e um tímido flerte com o psicodelismo. Realmente não foi um bom disco. Soava inseguro, sem uma linha definitiva de som, e sem um grande hit para diluir o trabalho pelas rádios.  As vendas foram insatisfatória, não chegando à sequer um terço do trabalho anterior "Siderado". Aproveitando a onda dos lançamentos ao vivo, o Skank fez o "MTV Ao Vivo em Ouro Preto", reunindo as grandes canções dos 5 discos gravados da banda, e ainda uma inédita, esta foi "Acima do Sol", uma balada que emplacou o disco nas rádios brasileiras, recolocando a banda no top das vendagens dos discos e reconquistando seu espaço no grande público.

Em 2003, com a produção de Tom Capone e do próprio Skank, a banda lança o "Cosmotron". O álbum foi uma mudança definitiva na musicalidade do quarteto. "É nítido, direto e inquietante / Eu diria totalmente extravagante". Os versos iniciais de "Supernova"  que abrem o disco representam com fidelidade a nova sonoridade do Skank. Mantendo a ausência dos metais, a linha fundamental do disco foi a psicodelia, com flertes eletônicos e pop. As letras abordam temas relacionais com linguagem mais abstrata e metafórica, deixando-as com um aspecto maduros e contundentes. A sonoridade do "Cosmotron" se baseia na forte influencia do Clube da Esquina, Oasis e Beatles. A mudança e o experimentalismo do disco poderiam afastar o Skank do grande público, das paradas e consequentemente desaguar e um novo fracasso nas prateleiras. Para isso, o disco trouxe duas canções pop de fácil e rápida apreciação radiofônica, a single "Vou Deixar" que ficou no topo das paradas durante todo o ano de 2003, e "Amores Imperfeitos", que também foi bem tocada nas rádios do país. O psicodelismo eletrônico surge na faixa que abre o disco "Supernova", "Pegadas na Lua", "Nômade" (com trechos falados em árabe) e "Formato Mínimo", esta última canta uma interessante história de um casal sob dois ângulos diferentes, o masculino e o feminino. A psicodelia  britânica se percebe em "Por Um Triz", "Resta Um Pouco Mais" e "Um Segundo". As baladas psicodélicas ficam por conta da surpreendente "Dois Rios", que foi muito bem recebida nas rádios, e "As Noites". A eletrizante "Os Ofendidos" realça a essência efervescente da banda, com uma pegada forte, distorções e vocal em eco, e um destaque até para os arranjos de órgão.  Outras surpresas como "É Tarde" e "Sambatron"  encorpam o disco, com uma mistura bem inventiva de bossa nova com elementos eletrônicos.

Para quem se lembra de 1986, três discos marcaram para sempre o rock brasileiro naquele ano. "Dois" da Legião Urbana, "Selvagem?" dos Paralamas do Sucesso e "Cabeça Dinossauro" dos Titãs formaram a trinca de ouro da discografia rockeira brasileira. Em 2003 quase vimos uma nova tríade de clássicos do rock 'brazuca'. "Ventura" dos Los Hermanos e "Cosmotron" do Skank ficaram à espera de um terceiro disco que completasse o que seria a trinca contemporânea do rock brasileiro. Infelizmente este disco não veio,  talvez por que as bandas de rock estavam saturando o mercado de lançamentos ao vivo e acústicos, caindo nos modismos baratos e nada originais. Com certeza, o "Cosmotron" entrou para a história e para o grupo seleto dos discos mais importantes da música brasileira.


Ouça agora mesmo o disco na íntegra. Faça o download gratuito, clicando no link abaixo:
http://depositfiles.org/files/gahbqmwuw 
 

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O Fantástico "Ventura" do Los Hermanos

O disco "Ventura" da banda brasileira Los Hermanos marcou o fim de um fastio inventivo e influente do rock nacional. Foram praticamente 10 anos sem um album marcante e tendencial ao mesmo tempo. Até que em 2003 foi lançado o fantástico "Ventura", pela BMG (atual SonyMusic). O álbum trazia a conjunção do rock com a mpb, sem soar imaturo nem frio. O trabalho foi premiado com disco de ouro pela significante marca de 50 mil cópias vendidas, consagrando Marcelo Camelo como grande compositor da música brasileira e Rodrigo Amarante como exímio guitarrista pela pegada rock sob acordes de bossa e samba. O "Ventura" ainda teve a pré-produção vazada na internet, sendo o primeiro disco brasileiro a ser divulgado ilegalmente antes de seu lançamento oficial. Saiba mais sobre o album e todos os outros aspectos que tornaram "Ventura" um dos discos mais importantes do rock brasileiro de todos os tempos.

Os Los Hermanos surgiram no cenário musical brasileiro em 1999, com o sucesso estrondoso de "Anna Julia", seguido por "Primavera". Em todas as rádios do país,  "Anna Julia" grudando que nem chiclete, o álbum de estreia da banda alcançou a incrível marca de 300.000 copias vendidas. A introdução dos metais ao hardcore, incrementado à letras românticas foi realmente uma novidade chocante à época, porém muito bem sucedida, tendo o principal hit da banda regravada até pelo ex-beatle George Harrison. Depois do assédio, veio em 2001 o "Bloco do Eu Sozinho", cujo processo de produção foi inteiramente em um sitio, onde a banda se isolou no Rio de Janeiro. Com o trabalho pronto, o disco foi rejeitado pela gravadora que o considerou amador, além de não ter nenhum hit radiofônico. O hardcore deixou de ser a marca forte da banda, passando a ter um som mais indie e experimental.  A crítica se surpreendeu com a mudança radical do novo trabalho, e fez boas criticas ao disco. Mas nas prateleiras das lojas, o cd foi praticamente ignorado pelo público, chegando a inexpressiva marca de 35 mil cópias. Mas foi a partir dali que a banda definiria o som indie e experimental como a principal marca de sua musicalidade, incorporando elementos da música brasileira. O "Bloco do Eu Sozinho" foi uma espécie de 'projeto' de luxo para o "Ventura", embora não tenha sido gravado com esta intenção.

As baixas vendagens do "Bloco do Eu Sozinho" não atingiram em nada a banda, que entrou em estúdio novamente em 2003 para gravar o que seria uma das mais belas obras primas da música brasileira, o "Ventura".  De início, o disco se chamaria "Bonança", contudo, mudou-se para um nome com uma fonética mais forte, e de sentido amplo. O trabalho é caracterizado pelo já citado indie rock, junto ao experimentalismo inventivo com elementos musicais brasileiros. Tal junção de gêneros, ritmos e sons não soaram imaturos, muito menos frios. Há espaço para canções vibrantes e outras mais intimistas. A pegada rock estilo indie se faz presente nas faixas "Um Par" e "Último Romance" de Amarante, e nas 2 singles de Camelo "Cara Estranho" e "O Vencedor". O experimentalismo com elementos e gêneros brasileiros conota-se em "Samba a Dois", com um balanço e swing contagiante; "Do Sétimo Andar" com estrutura harmônica de bossa com arranjamento de metais; "Além do Que Se Vê" e  "Conversa de Botas Batidas" com flerte rítmico de samba; "O Pouco que Sobrou" que segue uma linha de bossa nova porém totalmente acelerada, com efeitos eletrônicos e um solo de guitarra ecoado. A proximidade com a música circense vê-se em "Deixa o Verão" e "Do Lado de Dentro"; até o andamento da jovem guarda são bem usados pela trupe carioca, "Tá Bom" e "A Outra" atestam bem essa linha. A enigmática "O Velho e o Moço" é um dos grandes momentos do disco, de compasso firme, porém dosado em consonância com os metais perfeitamente arranjados. A única balada fecha o "Ventura" como uma das melhores canções do Los Hermanos, "De Onde Vem a Calma" é doce e sutil, sem nenhum momento parecer enjoativa ou melancólica.
Uma curiosidade sobre o disco é que este teve sua pré-produção vazada na internet, saindo à público todas as faixas do álbum em qualidade amadora, porém servindo de prato cheio aos fãs da banda. Tal fato tornou o "Ventura" o primeiro disco brasileiro a ser liberado ilegalmente no Brasil.

O disco marca o fim de um fastio de praticamente 10 anos sem uma obra de influencia para as próximas gerações.  O ultimo disco de forte influencia até então era o "Da Lama ao Caos" de 1994, de Chico Science e Nação Zumbi. Já foi até eleito algumas como o melhor disco brasileiro de todos os tempos em diversos sites na internet. Exagero ou não, fato é que a partir do lançamento do "Ventura" novas bandas surgiram com a mesma ousadia experimental do disco, mesclando o indie rock à musica brasileira como samba e bossa nova. O incremento dos metais ao rock passou a ser feito com mais frequência também. Os Los Hermanos marcaram a música brasileira definitivamente com o "Ventura", mostrando-se um álbum atemporal e acima de tudo tendencial.


Em virtude de reclamações dos direitos autorais, o Levecanto não disponibilizará o download deste disco.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O Bom "Comedown Machine" dos Strokes

Uma das bandas mais importantes do mundo vem mantendo o seu posto há mais de uma década, caracterizando-se sempre pela postura inovadora, inventiva e original de som . E neste novo trabalho, o The Strokes deixaram claro mais uma vez  seu explícito desprendimento aos rótulos e gêneros musicais, mostrando-se apenas como uma banda de rock em busca do novo. Desta vontade, nasceu o "Comedown Machine".

Lançado em 26 de março de 2013, o "Comedown Machine" surge como o melhor disco de rock do ano até o momento. É o ultimo trabalho pela gravadora RCA, concluindo o contrato de 5 discos pela companhia. Embora a proposta do álbum não seja das mais originais, a fusão do indie rock marcante dos Strokes aos elementos eletrônicos, além de fortes flertes com a new wave resultam em um som agradável, sem exageros nem sintetizadores perturbantes. O disco é bem dosado, maduro e de verve inventiva. Com a clara preocupação de não se repetir aos discos anteriores, ironicamente o álbum tem um pouco de cada trabalho já realizado pela banda. Na pegada do consagrado "Is This It" de 2001 vemos "All The Time" e a faixa que intitula o disco "80's Comedown Machine", esta representa o melhor momento do album. Na linha do "Room of Fire" de 2003 temos "Welcome to Japan" e do "Firts Impressions" de 2006 encontramos "Happy Ending". Até mesmo o disco considerado por muitos o deslize dos Strokes tem seus vestígios no novo trabalho da banda. "Angles" pode ser assimilado (levemente) em "Welcome to Japan" e "Partners in Crime" esta ultima tem toda a sua base eletrônica e sintetizada, bem ao estilo do álbum anterior. A aposta aparece nas novidades de "Tap Out", "One Way Trigger", "Slow Animals", e"Chances" em que Julio Casablancas adota o faucete (técnica vocal aveludada se assemelhando quase que com a feminina) como linha definitiva de canto. É o trabalho com maior uso de faucete dos Strokes, e só para reforçar minha afirmação, ainda não citei as duas lentas e intimistas "50 50" e "Call It Fate Call It Karma". Que seguem em compasso quase soníferos, porém ainda com refrãos marcantes. Uma palavra definitiva incorporada ao 'novo' The Strokes seria sensibilidade. Notam-se vocais mais brandos, e guitarras mais arranjadas no detalhe do que no volume. As linhas de guitarras da dupla Albert Hammond e Niki Valensi são espetaculares. Inteligentemente bem intercaladas, e perfeitamente sincronizadas. O baixo de Nikolai Freiture talvez seja uma das fraquezas do disco, passando desapercebido em quase todo o álbum, restringindo-se à grooves pequenos e nada inventivos. O brasileiro Fabrizio Moretti deixa mais uma vez sua pegada marcante no som dos Strokes. Sôa enérgico nos momentos precisos, quebra os compassos sem descaracterizá-los com muita personalidade. As baquetas de Moretti são facilmente identificadas pela pegada pulsante que cria com maestria.

O "Comedown Machine" com certeza não é o melhor trabalho dos Strokes (será difícil superar o "Is This It"), mas é um disco que mostra a força criativa ainda forte e bem sucedida da banda. O quinteto provou mais uma vez que ainda tem muito para mostrar, e que não se deixarão cair em repetições enjoativas, muito menos se tornarão previsíveis. Não é por acaso que  Casablacas e companhia foram considerados a banda mais influente da década passada, e citados como referenciais de nomes como Arctic Monkeys e The Killers, e ainda conseguir arrancar elogios do ex-Oasis Noel Gallagher. O novo disco da banda veio justamente para manter a vitalidade inventiva e influenciadora da banda. Com certeza é um bom disco dos Strokes.

Ouça agora mesmo o disco na íntegra. Faça o download gratuito, clicando no link abaixo:
http://www.4shared.com/zip/6m5GKDLL/the_Strokes_-_Comedown_Machine.html

 

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