terça-feira, 6 de agosto de 2013

A Salvação do Rock Brasileiro Atual pelo "Sobre o Mesmo Chão" do Palavrantiga

Diante de um fastio inventivo e inovador do atual rock brasileiro, o Palavrantiga surge como a grande salvação do gênero no cenário musical do país. Com uma sonoridade única, a banda mineira/capixaba vem conquistando milhares de seguidores por onde passa, além do respeito e admiração da crítica especializada. O novo disco "Sobre O Mesmo Chão", lançado pela Som Livre  no final de 2012, é a mistura do rock com elementos da musicalidade brasileira, tendo um resultado cativante, ousado e belo. A banda é a mais nova expressão do novo; é a face criativa e madura do rock nacional, que se reinventa através de misturas de gêneros e traduções de fé e esperança.

Em 2007, após encerrar as atividades como banda de apoio da cantora Heloísa Rosa, a banda decidiu tocar as próprias canções. O Palavrantiga é Marcos Almeida (vocal, violões e guitarras), Josias Alexandre (guitarra), Lucas Fonseca (bateria) e Felipe Viera (contrabaixo). O intuito era fazer um rock na contra mão do mercado, sem refrãos chicletes, nem letras vazias, muito menos 3 ou 5 acordes para uma canção. O sentimento de criar, inovar e reinventar o rock brasileiro, unido à vontade de levar a esperança no canto era o que movia a banda. Em maio de 2008 o Palavrantiga lançou seu primeiro trabalho de forma independente. Um ep com 8 músicas produzido pelo talentoso Lucio Souza marcava o ponta pé inicial da carreira do quarteto. Com uma musicalidade incrível, o ep trazia um rock que flertava o folk, britpop e samba. As letras poéticas e profundas, versavam sobre fé e esperança. Realmente não parecia um trabalho de estreia de uma banda, visto nele uma chamativa maturidade musical e lírica. O projeto foi disponibilizado na internet despertando a atenção de milhares de internautas. O resultado foi a conquista de um espaço no cenário indie brasileiro e uma afoita expectativa pelo primeiro disco full, que veio em 2010 com "Esperar é Caminhar" pela gravadora Canzion. O disco foi masterizado no consagrado estúdio Abbey Road, e teve a produção assinada mais uma vez por Lucio Souza. Um sucesso de crítica e ótimas vendagens, a banda se destacou pela maturidade e som inovador, despertando o interesse da Som Livre, uma das maiores gravadoras do país.

Em novembro de 2012, é lançado o "Sobre O Mesmo Chão" pela Som Livre. Um disco envolvente, com sonoridade ousada e letras de temáticas mais amplas que as dos trabalhos anteriores. A musicalidade é uma formidável fusão de gêneros. Elementos do britpop, indie e samba são misturados culminando em um som bem abrasileirado, o que o vocalista e líder da banda Marcos Almeida chama de 'brasilidade'.

"Sobre o Mesmo Chão" abra o disco que a intitula. A introdução com distorções e de compasso marchante já apresenta a face inventiva da banda. Guitarras repicadas e a voz forte e inconfundível de Marcos versam a ideologia do quarteto em "A banda passou. O amor se espalhando ainda está"
"Sagrado" é uma forte crítica à desmoralização do sagrado. A letra afirma o pensamento de que para ser sagrado, se faz necessário antes ter no peito o sentimento de santificação daquilo que se quer sagrar. Destaque para o riif de blues à uma levada pop da canção.
"Branca" é a feliz união do samba ao rock, resultando em nenhuma das duas coisas. Há quanto tempo não se ouvia uma coisa dessas? Cabe ressaltar a harmonia imprevisível e os belos arranjos dos metais, que por ora, lembra muito os cariocas do Los Hermanos.
"De Manhã" é uma balada confessional que versam uma conversa com Deus. A beleza dos arranjos de guitarra dão a canção o título de uma das mais cativantes da obra. O lirismo poético é maravilhoso: "Distante daquilo que eu era, sem força, nem fé ou poesia. Me encosto no peito daquele que atende o meu grito"
"Rio Torto" é uma das mais inventivas do disco. De levada quebrada, arranjos de metais e uma harmonia anticonvencional fazem da canção uma obra prima do trabalho.
"Minha Menina" tem um riff deslumbrante de guitarra, e foi inspirada na vida de uma prostituta. A canção fortifica a ideia de esperança sobre a prostituição. Veja o trecho: "A esperança é a doce chuva que cai sobre ti".
"Boa Nova" é outra faixa que cativa pela poesia confessional. É a mais calma do álbum.
"Rookmaker" é uma espécie de hino do Palavrantiga, pois traduz a ideologia da banda, elaborada sob as ideias do escritor alemão Hans Rookmaker. De pegada contagiante, é a única não inédita do disco, sendo gravada originalmente no anterior "Esperar é Caminhar".
"Antes do Final" é simples e lírica. Canta o perdão antes que não haja mais tempo para isto. Destaque para o refrão de guitarras gritantes e bateria marchante.
"Meu Lar" canta a ideia de um outro lugar após a morte. O céu, o reino, ou o que o ouvinte quiser entender. A canção em nenhum momento impera uma crença ou uma ideia, pelo contrario, dá a possibilidade de quem a escuta cantar o seu próprio 'lar'.
"Partiu" fecha a obra da melhor forma. Com força, criatividade e ousadia. Guitarras bem arranjadas e uma bateria agressiva. Tudo no melhor estilo "Palavrantiga".

A bandeira do novo, do progresso e da criatividade musical ainda está de pé. Embora inúmeras bandas e artistas saturam o mercado com o mais do mesmo, o Palavrantiga carrega a bandeira daquilo que representa a verve de insatisfação do rock and roll, através de sua musicalidade original e madura. A esperança presente em cada faixa, e o desprendimento de uma canção de mensagem imperativa aproxima e conquista cada vez mais milhares de admiradores da sua música. E eu com certeza sou um deles.





Nunca ouviu Palavrantiga? Então não perca tempo!
Ouça agora mesmo o disco na íntegra. Faça o download gratuito, clicando no link abaixo:
http://depositfiles.org/files/mtcbjnoo5













3 comentários:

Unknown disse...

Banda cristã realmente muito boa.
Gosto muito do som suave e das letras poéticas que me faz sentir a sensação de que algo muito bom vai acontecer.
O som dos cara é muito inovador e revolucionário. Atípico para o momento musical atual.

Unknown disse...

"Atípico". Acertou na palavra, Rafael Pereira

vavarl disse...

Essa banda pra mim foi a maior descoberta desse ano. Sei que ela já esta a um tempo na caminhada, mas só tive o prazer de ter o primeiro contato com o som deles esse ano. Foi amor a primeira vista, realmente o termo 'atípico' se aplica muito bem ao som deles. Boa música, boas letras e muito inteligentes. A banda vem se mostrando a melhor pela criatividade e bom gosto ao formar suas canções.

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